Abominamos a hipocrisia. Para nós o cúmulo da decadência moral é praticar aquilo que se condena. Paradoxos atuais tem nos deixado em estado de perplexidade, tem nos tornado céticos quanto à possibilidade de redenção deste mundo. Políticos, eleitos para promover a lei e a ordem, são os responsáveis por transgressão e caos. Policiais, contratados para combater o crime, têm muitas vezes suas mãos sujas de sangue inocente e de dinheiro culpado. Médicos, formados para dar a vida, são responsáveis pelo fim dela. E o cúmulo tem sido a moda do “assalto a delegacia”. Isso tudo nos constrange.
Mas existe algo pior do que a hipocrisia, a meu ver, muito mais nocivo e venenoso. É a apologia ao mal. Não apenas a prática do mal, pois comumente se pratica o erro, mesmo condenando-o. O rol de fumantes involuntários, por exemplo, não é composto apenas de não-fumantes, e sim também por fumantes que detestam o que fazem, mas sentem -se escravizadoramente compungidos a fazê-lo. Fazem o que não aprovam. Condenam-se, sentenciam-se culpados.
Pior, porém, é a defesa do mal. Não se trata de uma transgressão oculta, sorrateira, vergonhosa e envergonhada. Trata-se de um delito aberto, elogiado, defendido, legalizado. É feito com orgulho, com o peito estufado e o olhar altivo, desafiador e estimulador. Essa atitude com certeza supera a hipocrisia. É chamar o mal de bem, o amargo de doce, as trevas, de luz. É o que a filósofa Hanna Arendt chamou de “banalização do mal” ao se referir às atrocidades do nazismo. De repente, matar um semelhante não era só permitido, mas também louvável e aprovável como defendia a doutrina do Partido Nacional Socialista.
Para um exemplo bíblico, temos a cidade de Sodoma, cujo nome deu origem a certa prática sexual. Os habitantes ali foram descritos como “maus” e “grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13). Todavia, seu pecado não era oculto, mas aberto e defendido como sendo o correto. Quando anjos foram à cidade, os habitantes se reuniram na casa de Ló e exigiu que fossem tirados para fora para que mantivessem relações com eles! (Gn 19.5). E quanto Ló se recusou eles disseram: “Este indivíduo, como estrangeiro, veio aqui habitar e pretende ser juiz de tudo” (19.9).
Quando pessoas são premiadas por praticar a indecência, por agir com falsidade e de modo moralmente reprovável, com o apoio da grande mídia e da população, alguma coisa está errada. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa).
Não são cenas de empenho premiado ou de dedicação recompensada que temos em programações desse tipo, mas a baixaria recebendo galardão pela sua exibição ociosa, em uma verdadeira apologia do mal. Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice! E se demoram até a noite, até que o vinho os esquenta! Harpas, e alaúdes, e tamboris e pífanos, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos.(Is 5.11, 12). Ao invés de “ai”, os participantes recebem aplausos.
Nesse ambiente de moralidade distorcida e valores confusos, impossível não lembrar o grande refrão orwelliano:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA[1]
E PODEMOS ACRESCENTAR – O ERRADO É CERTO
Porque o Império Romano caiu? Eis uma das grandes perguntas da história. Para alguns historiadores a decadência moral contribuiu para a dissolução... Os padrões estéticos e morais baixaram ao nível das massas; e o sexo desembestava enquanto a liberdade política decaía[2]. Qualquer semelhança, não é mera coincidência. Esse nosso mundo precisa de redenção e isso só virá do alto. Maranata!! Ora vem, Senhor Jesus.
Eguinaldo Hélio de Souza
Escritor, apologeta e mestre em teologia
Eguinaldo Hélio de Souza
(www.devocionaiseesbocos.wordpress.com)
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pr Eguinaldo Hélio de Souza Teólogo, escritor e apologeta |
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